"Quando o Processo Colaborativo Transborda na Estética Cinematográfica", de Thaís de Almeida Prado
Capítulo 4 da Dissertação "Quando o Processo Colaborativo Transborda na Estética Cinematográfica", de Thaís de Almeida Prado
Processos Colaborativos II (Práticas) – Entre
Diretores
Nowhere
Nowhere é um filme COLABORATIVO, que vem sendo criado em uma
mesma direção de Desassossego – Filme das
Maravilhas. Neste filme houve uma proposição temática que foi direcionada a
alguns artistas os quais deveriam também responder com fragmentos fílmicos que
fariam parte de um filme UNO.
Sobre a proposta do filme
Nowhere se iniciou em Dezembro de
2011 com uma proposição da atriz e também cineasta Flávia Couto a vários
artistas de outras partes do mundo. Seria uma forma de diálogo para lidar com a
ideia de “estrangeiro”. O Projeto propunha como mote inicial um filme coletivo,
onde cada um pudesse abordar a sua visão sobre este “ser estrangeiro” e assim
enviar registros de vídeo para compor a trama. A principio os registros teriam
um teor autobiográfico e documental.
Nowhere, surgiu a priori como o projeto ‘Cidades’ em um momento de
transição pessoal. Eu estava muito insatisfeita com as condições de trabalho de
uma atriz e com a qualidade de vida e organização geral da cidade de São Paulo,
Brasil. Esta insatisfação gerou minha decisão de mudança para Paris. Este momento
de grande desilusão com o sistema da cidade em que eu morava trouxe a enorme
sensação de ‘despertencimento’ e desabrochou a concepção/ argumento de
“Nowhere”.[1]
No dia 2 de
Janeiro de 2012 Flávia envia por e-mail o convite oficial aos artistas e encaminha
um argumento e uma série de “provocações” criativas para que assim os
colaboradores movessem a criação de seus respectivos “filmes-depoimento” ou
“filmes-diário”.
Das temáticas
Como uma
tentativa de criar uma unidade para os fragmentos Flávia estabeleceu algumas
temáticas que permeavam seus 9 meses de morada em Paris, foram elas:
Rotina: Revelar pequenos espaços do
cotidiano, como por exemplo: os percursos mais utilizados, o meio de
transporte, a casa, o lugar onde se come, os horários estabelecidos por sua
rotina. Como se organiza o dia a dia e quais sistemáticas sempre se repetem.
Rituais: Os pequenos instantes de fuga do
cotidiano, que não se repetem, mas que acontecem em alguns momentos especiais
quando criamos realmente uma relação de subjetividade dentro da cidade em que o
espaço pessoal se revela. Nesses momentos podemos revelar o “eu” dissociado de
contextos e como ele se relaciona com o ambiente onde habita e quais lugares da
cidade potencializam nossos rituais particulares.
Pertencimento: Os espaços que se criam na cidade a partir da nossa interferência e que
nos geram a sensação de pertencimento. Os lugares, pessoas, relações onde
construímos nossa identidade, ambientes onde nos sentimos parte integrante de
algo. É possível também explorar a relação contrária: o não pertencimento, onde
nos sentimos expulsos da cidade, os lugares que nos repelem, as relações, as
organizações e os contextos que nos distanciam e nos fazem sentir um ser a
parte e dissociado do ambiente.
Olhar da cidade: Os espaços e sonoridades que são
revelados a partir do nosso olhar, os
planos subjetivos de pequenos detalhes que nos interessam mostrar da nossa
cidade. As coisas que nos chamam atenção.
Arquitetura/urbanismo: A maneira
como a cidade se organiza em sua estrutura urbana e como os edifícios, suas
regularidades ou irregularidades que influenciam no comportamento dos
indivíduos que a habitam.
Foi criado um blog[2]
para o projeto, onde os artistas teriam a liberdade de postar fragmentos de
vídeo, imagens e textos que os tivesse inspirando. Diversos obstáculos foram
acontecendo dentro deste trajeto: a falta de verba, a falta de tempo, a não
resposta de algumas pessoas, a distância, as dificuldades de Flávia em Paris e
etc. O blog acabou ficando perdido e
não foi muito usado, apenas alguns esparsos movimentos que ficaram parados no
tempo. Alguns artistas se desligaram do projeto e ficaram apenas 8 mulheres de
diferentes nacionalidades, em uma situação provisória, de adaptação em um outro
país.
* * *
Uma leve observação
Algo de muito
estranho sempre acontece em minhas parcerias com Flávia Couto. Na peça que
dirigi com ela atuando, a já citada ...E
o Meu Secador de Cabelos me Comeu Nesta Madrugada, o convite havia sido
feito para homens e mulheres, dentro de uma temática que abordaria a solidão
urbana onde também utilizávamos provocações temas como: a rotina, a
masturbação, a obsessão etc. O curioso disto tudo é que tanto em Nowhere como em ...E o Meu Secador... (onde as temáticas inclusive dialogam muito,
sendo quase que uma extensão da peça para o cinema), os artistas que decidiram
participar e ficar até o fim do projeto foram mulheres. O que faz de um olhar
de fora acreditar que estes acabem sendo projetos de gênero quando na realidade
eles partiram de um desconforto humano e uma temática mais universal.
* * *
Voltando à Nowhere, à partir dos eixos temáticos
enviados por Flávia e por seu trabalho de condução dramatúrgica foram se
desenvolvendo fragmentos construídos em cada cidade e as 8 artistas enviaram
suas contrapropostas já filmadas:
Argélia. Aurèlie Rauzier e
Clémence Zamora – Um convite (material bruto)
Aurèlie convida sua amiga
Clémence para uma viagem rumo a Argélia, local donde seus ancestrais vieram. Em
meio ao Ramada, cobertas com os véus tradicionais, numa sociedade onde o homem
domina e a mulher busca o seu espaço, as duas amigas redescobrem sua
sexualidade e uma nova relação surge entre elas.
Berlim e Köln.
Bianca Zanchetta - Expressões/ Impressões (material bruto)
Uma jovem estrangeira chega em
Berlim a fim de realizar o seu sonho de tornar-se bailarina. Focado no universo
interno da personagem, o fragmento trata da relação sensorial e pessoal dela
com esse novo universo ao seu redor. A incomunicabilidade e a dificuldade de
expressão em uma língua desconhecida são os temas principais que fazem do filme
uma viagem sensorial à perspectiva do mundo interno de uma jovem que tem no
corpo a principal forma de expressar-se.
Hong-Kong. Man
Wai Fok - Procurando o céu (material já editado)
Hong-Kong, uma grande cidade do
mundo moderno com milhares e milhares de arranha-céus. Abaixo dos prédios
gigantescos as ruas são estreitas e comprimidas e as pessoas condensadas são
como formigas. E onde se vê o céu? Quantas vezes olhamos para o céu?
Através de fragmentos de imagem Man Wai revela vistas de grandes arranha céus e
a manifestação de pessoas nas ruas, intercaladas com as frestas do esquecido
céu de Hong-Kong, em meio a seus imensos edifícios.
Londres. Camila
Ganc - A liberdade em uma sociedade de controle (material bruto)
Este fragmento exprime a
possibilidade da rotina de um indivíduo estrangeiro em Londres, a solidão, a
oscilação do ritmo da cidade durante o dia e as bruscas mudanças climáticas,
além de explorar através de uma linguagem corporal, a busca da liberdade de
expressão do corpo em lugares públicos.
Paris. Flavia Couto – Impermanências (material bruto)
O fragmento conta através da
passagem das estações do ano a permanência de um ano de Flavia, uma brasileira
em Paris. São revelados fragmentos de uma busca de um reencontro com si mesma,
em uma cidade extremamente impermanente e contrastante pelo grande afluxo de
turistas e imigrantes. Os parques de Paris no primeiro sol do verão, os metros
abarrotados no inverno, os bairros dos imigrantes, o verão cheio de turistas,
a solidão e vazio das relações das pessoas na cidade luz.
São Paulo. Thaís Almeida Prado - Origem/Destino (material bruto)
O fragmento aborda a cidade de
São Paulo a partir da criação do espetáculo da Cia. Auto-Retrato Origem/Destino, um projeto de
intervenção teatral que se desloca pelas ruas da cidade de São Paulo. A criação
do espetáculo traz a tona à Cia. a dificuldade de se deslocar e de coabitar as
ruas de uma cidade que se perdeu em seu planejamento urbano e que à época era alvo
de diversas proibições, inclusive artísticas. A trajetória da peça vai da Sé à Santo
Amaro, e durante o percurso de criação os artistas escolhem os melhores
trajetos que permitam deslocar o olhar de um transeunte comum. Entre crises de
processo entre a própria Cia. ou a crise com a cidade os artistas se deparam
com memórias pessoais relacionadas a lugares e a história rapidamente esquecida
de uma São Paulo em constante transformação.
Washington. Emma Jaster – Impulsos (material já editado)
O impulso criativo de Emma a leva
pelo distrito de Columbia. Sua bicicleta a impulsiona no movimento da cidade e
ela descobre inspiração infinita. O fragmento explora os espaços criativos que
encontramos em nossas cidades e em nós mesmos.
Em meados de
julho de 2012, para que o projeto ficasse mais concentrado, as artistas optaram
por haver duas diretoras gerais e escolheram Flavia Couto e Thaís de Almeida
Prado como estas representantes, por estarem morando novamente na mesma cidade
(Flávia havia voltado a morar em São Paulo). Os registros audiovisuais foram
chegando aos poucos e no fim de 2012 tínhamos um material que não falava tanto
do “ser estrangeiro” mas que dialogava muito entre si por outras abordagens.
Era um olhar de intervenção artística no espaço. Estas mulheres presentificavam
seus olhares através da criação de arte, era mais que um registro documental,
era um registro performático no espaço.
Foram realizados vários encontros entre eu e Thaís de Almeida Prado e 2
meses (Janeiro e Fevereiro de 2013) de completa imersão na edição da primeira
versão do filme. Assumimos esta “direção geral” ao iniciar a montagem, sobre a
perspectiva de unir essas histórias, sem que se tornasse uma edição em “blocos”
mas sim que interligasse cada fragmento, como se todas estas mulheres
espalhadas por estas cidades fossem uma só.[10]
Durante a
montagem do primeiro corte, Flávia e eu estabelecemos como linha norteadora as
estações do ano, assim, cada fragmento iria se amalgamando de acordo com o que
estas estações nos implicavam (tanto em termos de temática quanto em sensações)
com a liberdade de não nos prender à uma personagem ou outra podendo mixá-las.
Já neste momento, as sinopses pré-enviadas por cada artista começavam a perder
o sentido.
Com a primeira
montagem “finalizada”, descobrimos que a ideia de estações do ano não
funcionava e que o eixo temático era permeado pela busca incessante de um lugar
onde estas mulheres pudessem se aquietar, e este lugar aquietador não estava
lá: a busca então era por um não-lugar.
Todas estávamos em um momento de
passagem, de busca, de encontros, o lugar era apenas uma extensão desses
corpos. Cada indivíduo assumiu um papel maior no filme, era cada um em seu
vazio, em seu lugar nenhum. A cidade era uma continuidade desse corpo, do corpo
no espaço.[11]
Outro detalhe
deste primeiro corte: faltava alguma espécie de humor, um “rir-se de si”,
faltava algum sarcasmo, e acreditávamos que este tal humor viria com a
lapidação da edição e com o trabalho sonoro.
A medida que o
filme foi tomando corpo, fomos resgatando materiais guardados e criando novas
cenas, a partir do nosso olhar de direção. Percebemos linhas de conexão entre
todas as artistas: estas mulheres video makers que se colocam frente à câmera
gerando uma espécie câmera-voyer de si mesmas -
uma autobiografia audiovisual; a relação com a dança; com a solitude; e também
linhas de oposição: a cidade movimentada e opressora de São Paulo, as
manifestações nas ruas de Hong-Kong, a harmonia, a quietude e as cores de
Washington.
Com estes elementos fomos elaborando ritmos que amalgamariam cada
fragmento por si só, ou melhor dizendo cada anagrama fílmico, como Maya Deren
define em seu trabalho cinematográfico:
Em um anagrama todos os elementos existem em uma relação simultânea. Consequentemente, com isto, nada é antes e nada
é depois, nada é futuro e nada é passado, nada é velho e nada é novo ... Cada
elemento de um anagrama está tão relacionado com o todo que nenhum deles pode
se alterar sem afetar sua série e assim afetar o todo. E, inversamente, o todo
é tão relacionado a todas as partes que se lê na horizontal, vertical, diagonal
ou até mesmo no sentido inverso, a lógica do todo não é interrompida, mas
permanece intacta.[12]
Foram gerados então novos
capítulos-temas, os quais seriam nossa nova linha norteadora: Das Chegadas; Das
permanências; Das despedidas; e incluímos depois Das explosões/ ebulições.

Havia uma
discussão entre nós sobre criar cartelas com estes títulos ou não. Eu
acreditava que estas cartelas fechariam muito um olhar do espectador, já Flávia
achava que os títulos poderiam servir como um norte a quem assistia.
Durante a
edição fomos sentindo falta de mais materiais que compusessem o corpus do filme. Aurèlie e Clémence já não estavam mais na Argélia
(e ambas já tinham mandado bastante material), Man
Wai havia acabado
de se casar e “desaparecido do mapa”, Emma havia deixado Washington e voltando
para a França e Camila, em Londres, não tinha mais câmera. Decidimos então
filmar novas cenas minhas em São Paulo, agora com a ajuda de Flávia e retomamos
um material feito em Berlim com Bianca Zanchetta e que eu havia abandonado
desde 2010 (um experimento de vídeo-dança para uma performance dela). Além
disso “reciclamos” vídeos meus feitos na França que poderiam se conectar com a
estadia de Flávia (no filme) por lá.
Nesse momento, de edição
imersiva, foram inclusive gravadas novas cenas e foram resgatados materiais de
Berlim que Thaís havia filmado com Bianca Zanchetta em 2010 (fragmentos estes
que estavam engavetados para um trabalho de videodança das duas artistas) e
outros processos criativos que eu, Thaís e Bianca vivemos juntas em nosso
coletivo de pesquisa Cia. ÔCA.[14]
Fechamos então
um segundo corte[15]
de 66 minutos, em meados de Março de 2013. O corpus do filme se pautava pelo movimento. O filme seria uma grande
coreografia onde ebulições, calmarias, movimentos de chegadas e partidas
criariam a narrativa rítmica destas mulheres que representavam um ser só: o
mesmo que vivia em sua eterna busca de um lugar, o seu lugar, o seu não-lugar.
Assim como nos
filmes de Maya Deren pretendíamos uma narrativa que fosse estabelecida pela
ideia de ritmo, Flávia Couto em sua dissertação de mestrado cita Meshes of Afternoon como um exemplo disto:
Meshes of
Afternoon é um filme silencioso, sem diálogos,
comunicação entre seus personagens ou som direto. Teiji Ito fez a trilha do
filme após a morte de Deren. Os sons dos passos de Deren são metonimicamente
acompanhados pela percussão de Teiji Ito. A trilha foi inspirada na noção de
Eisenstein de montagem rítmica. Em Deren, o ritmo surge da repetição e variação
de seus experimentos narrativos. ‘Meshes of Afternoon’ instala um estilo inovador por cortar a ação quando os passos da
protagonista passam por terrenos desiguais como a praia, a terra, a grama e o
concreto. O ritmo do atabaque marca a descontinuidade espacial, a lacuna de
tempo. ‘Meshes’ é como a encenação de um sonho, uma trajetória
narrativa ilógica, em que o fluxo de movimento e a atmosfera convidam à
contemplação e a transcendência, envolvendo o espectador.[17]
Deste corte,
chegamos a um limbo. Existia uma “barriga” em determinada parte do filme e
faltava alguma coisa para haver a sensação de que estávamos caminhando para um
final. O trabalho sonoro, que seria construído como uma segunda linha narrativa
e “coreográfica” do filme ainda não havia sido feito, mas já existiam esboços
que faziam parte deste corte.
Enviamos este
corte para nossas outras parceiras, todas deram um feedback e sugeriam novas cenas; falavam sobre o que sentiam falta
e como se identificavam com o trabalho.[18]
Estes comentários nos fizeram rever elementos no filme e reafirmar outros.
Na próxima
etapa então, começamos a mostrar a pessoas distanciadas do projeto. Fizemos um
jantar em minha casa e apresentamos Nowhere
para amigos bem próximos. Alguns deles se desprenderam do filme, saíram para
conversar e fazer outras coisas, outros ficaram bem atentos. Na conversa, a
maioria apontou que em determinada parte do filme algo se perdia da construção.
“MAS O QUE?”
* * *
Interrupções do modus operandis
– mais uma vez São Paulo nos atropela.
Eu
tive que parar... escrevia minha qualificação para o mestrado. Nowhere não era parte. Flávia precisava
trabalhar. Tivemos que dar um tempo ao filme. Tempo este que para nós serviria
de respiro. Respiro para voltarmos ao
filme com um novo olhar, aquele do “ver
com olhos livres”[19]
. Antes da pausa no entanto, mais uma chance: mostrar para três pessoas: Rudá
K. Andrade, Rubens Rewald, Sebastian Mez.
* * *
Ao verem o
filme, Rudá e Rubens concordavam em vários aspectos, se por um lado Hong-Kong
para Sebastian parecia perdido no espaço, para Rubens e Rudá fazia sentindo na
transição que criamos - a saída de Thaís da “balada Netão”, em São Paulo, para
a manifestação cheia de fogos de artifício de Man Wai em Hong-Kong. Para eles
não era o significado da cidade em si, pois Hong-Kong quase não existe no filme
(Man Wai mandou um fragmento editado de 3 minutos apenas), mas a ideia
dramatúrgica como um todo, um anagrama que cria um sentido próprio ao se
conectar com outro. Sebastian sugeria que a cena do elevador fosse o inicio do
filme: por ser estranha, ter um certo humor e dar uma sensação claustrofóbica (algo
que se repetia na impossibilidade das pessoas de saírem do elevador lotado, o
qual sempre chegava ao andar errado). Para ele, com esta cena no início
daríamos margem à temática do filme em si. O começo para todos deveria dar
indícios do que seria o filme. O contemplativo do começo era interessante para
Rubens e Rudá, mas precisaríamos repensar tudo para não perdermos o fio da
meada no meio do filme, como já estava ocorrendo.
Faltava um
ponto de virada no filme, algo que chacoalhasse tudo e não recomeçasse o ritmo
que havia sido imposto no começo. Faltava alguma reviravolta.
Todos
concordavam que as cenas intimistas em certos momentos do filme, principalmente
entre Aurélie e Clémence, eram muito boas e traziam o
espectador para o lado cru destas mulheres. Sebastian sentia necessidade de ver
mais disto no filme, por exemplo: menos Thaís trabalhando na peça e nas
manifestações e mais Thaís em seu íntimo. Em Flávia ele sentia a necessidade de
ver mais coisas, parecia que ela ia sumindo no decorrer do filme. Porém, se a
ideia do filme era criar justamente uma unidade onde todas estas mulheres
significassem a mesma mulher, então mostrar momentos intimistas de todas ou
tentar mantê-las presentes a todo momento, traria a ideia de série, mesmo que
fragmentada, como se precisássemos ver a história de uma e depois de outra e
etc. Isto era algo que Flávia, eu e as outras artistas não queríamos. Nós nos
afeiçoávamos à ideia de nos tornarmos uníssonas e não tínhamos problemas em
desapegar do nosso material enviado inicialmente.
Rubens Rewald
perguntou: porque um longa? Inicialmente o filme nasceu como um longa, e estava
se tornando longo dada a quantidade de material bruto que tínhamos. Mas ao
editar, e ao assistir diversas vezes percebemos que longa, média ou curta não
importava. O filme deveria ter o seu tempo, o tempo que fosse necessário para
ele existir, podendo ou não se tornar um curta-metragem.
* * *
[1] Depoimentos
de Flávia Couto, escrito em Abril de 2014 e postado no BLOG do projeto http://cities-movieproject.blogspot.com.br/2013/04/sobre-o-processo-nowhere.html
acessado em 22 de julho 2014.
[10] Depoimentos de Flávia
Couto, escrito em Abril de 2014 e postado no BLOG do projeto http://cities-movieproject.blogspot.com.br/2013/04/sobre-o-processo-nowhere.html acessado em 22 de
julho 2014.
[11] Depoimentos de Flávia
Couto, escrito em Abril de 2014 e postado no BLOG do projeto http://cities-movieproject.blogspot.com.br/2013/04/sobre-o-processo-nowhere.html acessado em 22 de
julho 2014.
[12] Bill Nichols (ed.), Maya Deren and the American
Avant-Garde, Berkeley: University of California Press, 2001, pag 6.
[13] Caderno de anotações
de Flávia Couto, 01.02.2013
[14] Depoimentos de Flávia
Couto, escrito em Abril de 2014 e postado no BLOG do projeto http://cities-movieproject.blogspot.com.br/2013/04/sobre-o-processo-nowhere.html acessado em 22 de
julho 2014.
[15] DVD do segundo corte
acompanha a dissertação.
[16] Caderno de anotações
de Flávia Couto.
[17] Couto, Flávia. Mitopoéticas do Corpo. Dissertação de
mestrado para o Programa de Artes Cénicas da Escola de Comunicações e Artes da USP.
2008. Pg. 28
[18] Em Anexos é possível ter acesso ao feedback
enviado pelas outras artistas.
[19] Frase de Oswald
Andrade em Manifesto da Poesia Pau-Brasil,
1924.
[21] Caderno de anotações de Flávia Couto sobre reunião com Rubens
Rewald e Rudá K. Andrade, meados de Maio e Junho de 2013.











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